O índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 4% brevemente, com grandes impactos em montadoras e bancos. O mercado futuro dos Estados Unidos também sofreu uma baixa. O reflexo de pessoas é visto em um indicador eletrônico de uma bolsa de valores em Tóquio, no Japão
Shizuo Kambayashi/AP
Os mercados financeiros asiáticos despencaram nesta quinta-feira (3), após o anúncio do presidente Donald Trump de grandes aumentos nas tarifas sobre importações de bens de todo o mundo.
No mercado asiático, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 4% brevemente, com grandes impactos em montadoras e bancos. Pouco antes do fechamento do mercado, estava em queda de 3,4%, a 34.498,31.
As ações do Mitsubishi UFJ Financial Group despencaram 8,3% já o Mizuho Financial Group caiu 9,2%.
Já os ativos da Sony Corp. caíram 5,6% e as da Toyota Motor Corp. recuaram 6,3%.
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O iene japonês ganhou força, com o dólar americano caindo para 147,04 ienes japoneses, de 149,28 ienes. O euro subiu para US$ 1,0949, de US$ 1,0855.
Na Coreia do Sul, que foi atingida por uma tarifa de 25%, o índice Kospi caiu 1,1%, para 2.478,49.
O Hang Seng de Hong Kong perdeu 1,9%, para 22.776,00, enquanto o índice composto de Xangai caiu 0,2%, para 3.342,39.
O anúncio foi considerado um "grande choque", disse Yeap Junrong, da IG, em um comentário. "A China, em particular, foi atingida por uma tarifa adicional de 34%, elevando sua carga total de tarifas para 64%, considerando as medidas anteriores."
Mesmo assim, as perdas foram parcialmente atenuadas pelas expectativas de mais estímulos econômicos de Pequim para compensar o impacto das tarifas mais altas.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,9%, para 7.859,70.
O SET de Bangkok caiu 1% depois que a Tailândia foi atribuída a uma tarifa de 36% sobre suas exportações para os EUA. Isso pode fazer com que as exportações tailandesas caiam de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões, ou cerca de 2,3% do total, disse Kasem Prunratanamala, da CGS International, em um relatório.
Em outras negociações na manhã de quinta-feira, o petróleo bruto de referência dos EUA caiu US$ 1,86, para US$ 69,85 por barril. O Brent crude, padrão internacional, perdeu US$ 1,83, para US$ 73,12 por barril.
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Mercado futuro dos Estados Unidos
Os índices futuros dos Estados Unidos também sofreu as consequências das tarifas de Trump.
🔎 Os índices futuros são contratos negociados enquanto as bolsas estão fechadas, e que permitem especular sobre a direção do mercado no dia seguinte. A queda mostra que investidores esperam grandes perdas quando Wall Street abrir nesta quinta-feira (3).
O futuro do S&P 500 caiu 2,9%, enquanto o do Dow Jones Industrial Average perdeu 2,2%, indicando possíveis perdas quando os mercados dos EUA reabrirem na quinta-feira.
Na quarta-feira, as ações dos EUA passaram por outro dia agitado antes da revelação de Trump de suas tarifas do "Dia da Libertação".
O S&P 500 subiu 0,7%, para 5.670,97, após oscilar entre uma perda anterior de 1,1% e um ganho posterior de 1,1%. Ele tem apresentado um padrão esta semana de abrir com quedas acentuadas apenas para terminar o dia em alta.
O Dow industrials adicionou 0,6%, para 42.225,32, e o composto Nasdaq subiu 0,9%, para 17.601,05.
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Tarifas de Trump
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
"A partir de amanhã, os EUA implementarão tarifas recíprocas sobre outras nações. [...] Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça. [...] cobraremos deles aproximadamente metade do que eles têm cobrado de nós", afirmou Trump.
Trump afirmou que "teria sido difícil para muitos países" cobrar a mesma alíquota cobrada dos EUA, e que daria descontos porque os americanos são "muito gentis".
"Se vocês olharem para aquela primeira linha da China, 67%, essas são as tarifas cobradas dos EUA, incluindo manipulação cambial e barreiras comerciais. [...] vamos cobrar uma tarifa recíproca com desconto de 34%", disse.
"União Europeia, eles são muito duros, comerciantes muito, muito duros. Vocês sabem, vocês pensam na União Europeia, muito amigáveis. Eles nos exploram. É tão triste de ver. É tão patético. 39%, vamos cobrar deles 20%."
O presidente norte-americano disse ainda que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.
Trump mostra tabela do "Dia da libertação" com tarifas a países
Sozinho, Elon Musk teria investido cerca de US$ 21 milhões na campanha do juiz Brad Schimel, candidato republicano à Suprema Corte de Wisconsin. Já George Soros apoiou a vitoriosa Susan Crawford, dos democratas. Elon Musk, do lado esquerdo, e George Soros, do lado direito
David Swanson/Reuters e Ronald Zak/AP
Os Estados Unidos tiveram sua primeira eleição judicial nesta terça-feira (1), desde que Donald Trump assumiu seu mandato em janeiro. O resultado não agradou ao presidente e seus aliados republicanos: a democrata Susan Crawford venceu e foi eleita para a Suprema Corte de Wisconsin, um dos estados "pêndulos" dos EUA.
Além da vitória da democrata em um estado que preferiu Trump nas eleições de 2024, outra particularidade chamou a atenção: essa foi a eleição judicial mais cara da história do país.
Esse "marco" foi alcançado pela influência de dois dos homens mais ricos do mundo: Elon Musk, empresário que mais apoiou Trump e agora participa do governo, e George Soros, investidor que apoia historicamente os democratas.
Segundo agências de notícias internacionais, Musk investiu cerca de US$ 21 milhões na campanha do juiz Brad Schimel, candidato republicano. Já a vitoriosa Susan Crawford foi apoiada por Soros, mas não há informações sobre valores.
Entenda abaixo quem são Elon Musk e George Soros.
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Elon Musk
Elon Musk, dono do X, da SpaceX e da Tesla, em reunião na Casa Branca, em 26 de fevereiro de 2025
Reuters/Bryan Snyder
Nome completo: Elon Reeve Musk
Idade: 53 anos, nascido em 28 de junho de 1971
Onde nasceu: África do Sul
Onde vive: Estados Unidos
Família: 13 filhos reconhecidos e suspeita de um 14°
Fortuna: US$ 342 bilhões
Principais negócios: Tesla, SpaceX e X (antigo Twitter)
Elon Musk é o homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 342 bilhões (cerca de R$ 2 trilhões), segundo a lista de bilionários da Forbes.
Ele nasceu em Pretória, capital da África do Sul. É filho de um sul-africano e de uma canadense de classe alta. Por sua ascendência, conseguiu se naturalizar canadense e americano. Hoje, vive nos EUA, onde atua como empresário e conselheiro da Casa Branca.
Musk se tornou bilionário ao fazer fortuna no setor de tecnologia. Sua empresa mais famosa, a Tesla, é uma montadora de veículos elétricos com sistemas de direção autônoma e investimentos em inovações tecnológicas.
O bilionário também é dono da SpaceX, uma empresa de voos espaciais. A companhia criou a maior nave espacial do mundo, a Starship, e já lançou várias missões não tripuladas para o espaço, todas transmitidas ao vivo e sucesso de audiência
Elon Musk e Twitter: a cronologia da primeira negociação até a compra da rede social
Musk também gerencia o Twitter, que sob seu comando passou a se chamar X. Em abril de 2022, ele fez um acordo para comprar a empresa por US$ 44 bilhões. O negócio teve entraves, mas a venda foi concluída em outubro daquele ano.
Musk é um grande entusiasta da inteligência artificial (IA) e foi um dos fundadores da OpenAI, criadora do ChatGPT. Ele continua desenvolvendo projetos de IA e é dono da xAI, empresa que criou o Grok, concorrente do ChatGPT.
Já como o homem mais rico do mundo, ele foi um dos principais aliados e apoiadores de Trump nas eleições de 2024. Após sua vitória, Trump deu a Musk o comando do novo Departamento de Eficiência (DOGE), cujo objetivo é cortar gastos públicos.
Na vida pessoal, Musk chama a atenção com seus filhos — que são muitos e têm nomes peculiares. Ele é pai de 13 filhos, e há suspeita de que recentemente tenha nascido o 14º.
Do seu primeiro casamento com a escritora Justine Musk, nasceram seis filhos: Nevada, em 2002, que morreu após o parto; os gêmeos Griffin e Vivian, nascidos em 2004; e os trigêmeos Damian, Saxon e Kai, nascidos em 2006.
Musk não tem mais relações com a filha Vivian, que é uma mulher trans, desde 2020, quando ela se assumiu. Os dois já tiveram brigas públicas e, no mês passado, Vivian chamou o pai de "patético". Musk disse que seu filho (referindo-se à Vivian) estava "morto" por conta da "cultura woke".
O bilionário também foi casado com a atriz Talulah Riley, mas não teve filhos.
Da relação com a cantora Grimes, nasceram X AE A-XIII (chamado de X) em 2020, Exa Dark Siderael em 2022, e Techno Mechanicus, cujo ano de nascimento não foi revelado.
Em 2021, teve um casal de gêmeos, Strider e Azure, com a executiva da Neuralink Shivon Zills. Com ela também teve Arcadia, nascida em 2024, e Seldon Lycurgus, em 2025.
Além dos 13 filhos reconhecidos, a influenciadora Ashley St. Clair afirmou que teve um filho com Musk em fevereiro deste ano. O bebê foi chamado de R.S.C. pela mãe. Musk não confirmou nem negou a paternidade.
Os filhos de Elon Musk
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George Soros
George Soros, fundador e presidente da Open Society Foundations.
Francois Mori/ AP
Nome completo: George Soros (György Schwartz)
Idade: 94 anos, nascidos em 12 de agosto de 1930
Onde nasceu: Hungria
Onde vive: Estados Unidos
Família: 5 filhos
Fortuna: US$ 7,2 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões)
Principais negócios: fundos de investimentos e Open Society Foundations
George Soros nasceu em Budapeste, Hungria, em 1930. Veio de uma família de judeus que precisou se esconder para sobreviver ao Holocausto promovido pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
Pouco depois do fim da guerra, aos 17 anos, Soros migrou para a Inglaterra, onde se formou na London School of Economics. Durante seu período de formação, trabalhou como garçom e carregador ferroviário para se sustentar.
Soros fez fortuna no mercado financeiro. Entrou na área em Londres, trabalhando no banco de investimentos Singer and Friedlander.
Em Nova York, atingiu o auge: trabalhou em algumas instituições financeiras até fundar sua gestora de fundos de investimento, o Quantum Fund Group, em 1969. Lá, administrou o dinheiro de clientes até 2011.
Quem é George Soros, o megainvestidor bilionário que virou alvo de militantes brasileiros
Uma curiosidade sobre Soros é que, em 1992, ele ficou conhecido como "o homem que quebrou o banco da Inglaterra". A economia europeia da época tinha um sistema monetário que visava estabilizar as taxas de câmbio das moedas da região. Para isso, os bancos centrais dos países precisavam intervir constantemente.
Observando as fragilidades desse sistema, Soros apostou contra a libra esterlina, acreditando que a Inglaterra não conseguiria sustentar essa estabilidade monetária. Em 16 de setembro de 1992, quando o banco central do país não pôde mais segurar o patamar da libra, Soros embolsou uma quantia estimada em US$ 1 bilhão.
Além do sucesso financeiro, Soros ficou conhecido por seu apoio a causas sociais e ao Partido Democrata nos EUA. Ele fundou a Open Society Foundations, uma rede internacional de filantropia, em 1993.
Segundo a organização, seu trabalho é "construir democracias vibrantes e inclusivas, cujos governos sejam responsáveis perante seu povo". Em 2018, Soros retirou US$ 18 bilhões de seu patrimônio, alocados em uma empresa de gestão dos recursos da família, para destinar à Open Society.
Bilionário George Soros transfere US$ 18 bilhões para filantropia
Anualmente, a fundação doa quantias a diversos grupos e pessoas que promovem inclusão social e direitos humanos. O site da fundação diz que US$ 23 bilhões já foram gastos.
Soros é casado com Tamiko Bolton desde 2013. Também foi casado com Annaliese Witschak, com quem teve três filhos — Andrea, Jonathan e Robert — e com Susan Weber, mãe de seus outros dois filhos — Alexander e Gregory.
George Soros financia o Partido Democrata há mais de 20 anos. Ele começou a se envolver na política em 2003, ao criticar a invasão dos EUA ao Iraque. Ele apoiou a campanha de Kamala Harris no ano passado e tem uma fundação que financia projetos sociais.